Lightworks para Mac já está disponível para download por João Velho - garimpado por Sérgio Guimarães - jun 12, 2014
Depois de muitas promessas de lançamento furadas, e após ser visto rodando no estande da EditShare durante a NAB 2014, finalmente saiu a versão para Mac OS do Lightworks. Coincidentemente, isso ocorreu no dia em que publicamos o post “Com que software de edição que eu vou”. Dessa vez, a previsão de disponibilidade para junho da aguardada versão 12.0 foi cumprida e você já pode baixar o programa pelo site do desenvolvedor. Embora ainda se trate de uma versão Beta, o que importa é que ele está ai.
A chegada do Lightworks para Mac OS é fundamental para que o aplicativo possa fazer avançar a sua base de usuários, uma vez que a plataforma da Apple, faz tempo, se consolidou como a mais popular entre os editores de vídeo. E o fato de estar sendo lançado inicialmente num versão Beta, vai ajudar nisso porque permite que qualquer pessoa possa fazer o download e experimentar o programa sem custo algum.
Na realidade, o Lightworks é um programa das antigas, anterior até ao Avid, bem manjado e bastante conhecido em Hollywood. Durante muito tempo, entre meados dos anos 1990 e 2000, travou uma disputa cerrada com o Avid Media Composer pela preferência de alguns dos mais importantes editores de longa-metragens americanos. Thelma Schoonmaker, por exemplo, montadora de Martin Scorcese, é fã de carteirinha do programa. “O Lobo de Wall Street” foi editado com ele.
Uma das razões desse sucesso em Hollywood, com toda a certeza, o Lightworks sempre foi sido oferecido com um hardware na forma de um console para edição ultra engenhoso, e que faz referência direta aos controles comumente encontrados em moviolas cinematográficas. Ainda hoje é vendido em separado, por US2.800, um preço bem salgado para essa nova realidade do programa. Se cair para US500, pode emplacar num público maior de editores.
O azar do programa foi ter passado por muitas empresas diferentes num período crítico, com a concorrência acirrada do Media Composer e do Final Cut Pro. Desde que foi criado, em 1989, entre vendas e aquisições de empresas, o Lightworks rodou por cinco desenvolvedores diferentes até ser adquirido pela EditShare em 2009. Isso, com toda a certeza, atrapalhou o seu desenvolvimento e posicionamento de mercado, deixando-o meio à deriva e decadente por muito tempo.
No novo endereço, inicialmente, a EditShare havia anunciado que o Lightworks se tornaria um aplicativo de código aberto (open source). Saíram versões para Windows e Linux, mas o plano de implantação do código aberto não vingou completamente, e o programa acabou retomando o caminho comercial. Agora, com a versão para Mac OS X saindo do forno, o programa se credencia a concorrer, nessa plataforma, de igual para igual com o Media Composer, Premiere Pro e Final Cut Pro X.
O Lightworks Pro pode ser adquirido na forma de licença perpétua por US$279, 20 dólares a menos que o Final Cut Pro X, que perde assim seu título de software de edição profissional mais barato do mercado. Também é possível comprar o LightWorks no modelo de assinaturas, tão em voga atualmente, na modalidade mensal, por de US$7,99, e na modalidade anual, por US$79,99.
Ainda há uma versão gratuita do Ligthworks, mas bastante limitada, sem os recursos de definição de localização de projetos, suporte para hardware de I/O da AJA, Blackmagic e Matrox, render da timeline, saída estereoscópica, recursos de fluxo de trabalho compartilhado, suporte para uso do console de hardware, e restrito a saídas na forma de arquivos Lightworks e H.264.
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O Lightworks é um programa baseado no paradigma clássico dos aplicativos de edição não-linear de vídeo digital, calcado num ambiente virtual que funciona como uma espécie de metáfora da moviola cinematográfica. Nesse sentido, ele vem brigar sobretudo com o Media Composer e o Premiere Pro. Os relatos dão conta de que ele está muito rápido e foi bastante modernizado, especialmente com essa versão mais recente.
Ele, hoje, oferece efeitos e títulos em tempo real; edição multicam; suporte para formatos nativos de praticamente todos os fabricantes de camera; timeline multi-resolução, multi-formato e multi-codec; render, importação e exportação em segundo plano; suporte para hardware I/O de terceiros; e suporte para trabalho compartilhado. Ou seja, está pronto e completo, com tudo que editor moderno precisa.
Resta por a mão nele, aprender a usar, e ver como ele vai reagir ao tranco dos projetos, dos mais simples e curtos aos mais longos e complexos.
Confira as principais novidades que estão vindo com a versão 12.0:
· Novo Content Manager (gerenciador de conteúdo):
- Bins e Groups (os antigos racks) agora são todos visíveis dentro do gerenciador de conteúdo;
- Multicam Bins (anteriormente Sync groups) já estão todos visíveis dentro do gerenciador de conteúdo;
- A função de Search foi incorporada ao gerenciador de conteúdo;
- Adicionados clips, sub clips, prints, syncs, e buscas; filtros de “todos” e “recentes” para o gerente de conteúdo;
- Permite criar e editar filtros, bem como criar filtros com base em critérios de pesquisa;
- Permite arrastar e soltar os arquivos do Finder diretamente para um bin aberto;
- Importação diretamente para um bin existente;
· Adicionado novo efeito Blur para o painel Efects;
· Suporte para exportação em QuickTime Apple ProRes;
· Optimizações de interface de usuário;
· Melhorias no Lightworks Play Engine - elimina a necessidade de o botão Display Optimisation Field/Frame;
· Melhoria da capacidade de resposta para visualização da imagem ao mover o marcador de linha de tempo;
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Até hoje tenho um pequeno broche com o tubarão vermelho, um tipo de símbolo/mascote do Lightworks, quando visitei o estande de demonstração do programa na NAB 1997. Nunca usei o programa. Mas tenho recordações boas da demo que assisti na época. A confirmação da portabilidade para Mac OS muda o jogo para o aplicativo. Eu mesmo, que estava descrente com a possibilidade do Lightworks virar uma alternativa mais forte nesse cenário de vácuo do Final Cut Pro clássico, estou começando a rever minha opinião.
Quem sabe, pode vir a se tornar um novo protagonista, talvez até o principal, nesse novo cenário pós-FCP7. Nessa nova fase, rodando bem na plataforma Mac, se ele conseguir sintetizar o paradigma clássico de edição de uma forma mais simples, ágil e intuitiva que o Media Composer e o Premiere, poderá vir a alcançar esse posto com facilidade. É preciso ressaltar que o Lightworks desde já passa a ser também o único programa de edição profissional ofertado nas três principais plataformas de sistema operacional existentes: Windows, Linux e Mac OS X.
A EditShare está fazendo um esforço para disponibilizar conteúdo e material de treinamento. Assista abaixo um vídeo postado por eles com um “quick start” do programa.
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