Dicas Para Noivas:Quanto Custa um Fotógrafo
Ora, fotógrafo é que nem sapato. Tem sapato de R$100 (daqueles que vc pode até usar em casa, mas não teria coragem de levar para o seu casamento) até sapatos de alguns milhares de reais (desses que vc sonharia em usar vestida de noiva). Mas na média quanto custa um sapato, quero dizer, fotógrafo de casamento?
A grossíssimo modo, dividido por nichos sócio-econômicos, um fotógrafo custa, em 2013:
de R$500 a R$800 reais para a classe E e D,
de R$1500 a R$2100, para a classe C,
de R$3500 a R$4500 para a classe média,
de R$ 8000 a R$15.000 para a classe A,
e de R$25.000 a R$50.000 para os multi-milionários dos circuito Saint-Tropez/Saint Bart.
Tudo isso sem muita ciência econômica por trás, uma estimativa baseada na experiência, no que vejo por aí, no que cobro e no que ouço falar. Claro que uma tabela dessa é uma tentativa pedagógica, imperfeita e incompleta, de organizar as coisas e cada uma dessas categorias pode se superpor, ter sub-categorias e preços intermediários. Mas, como base geral, serve.
O preço de um fotógrafo de casamento é, em valores absolutos, dentro de cada classe social, caro. Entretanto, torna-se barato no universo do custo final da festa e quando se leva em conta que as fotografias são para sempre. Uma festa de hiper luxo pode chegar fácil aos 1,5 milhão de dólares. (Fácil é uma palavra que não deveria ser usada junto com 1.5 milhão em hipótese nenhuma!). Para essas festas de 1.5 milhão "fácil", um fotógrafo pode custar entre R$25.000 a R$50.000. Dessa forma, mesmo que R$25.000 seja uma bolada, grana para chuchu, no universo de 1.5 milhão de dólares, vira uma gota no balde. Mesmo no âmbito da classe média, a mesma lógica se mantêm. Uma festa de classe média custa cerca de R$35.000/R$45.000, hoje. Para esse montante, um valor de R$3.500 por um fotógrafo, representa cerca de apenas 10% do orçamento. Ou seja, fotografia é cara, mas não é tão cara, e no conjunto das coisas, é até mesmo barata.
E o que um fotógrafo cobra? Por que e pelo que ele cobra?
Ora, primeiro por que o estômago do fotógrafo, embora artista, tem essa maldita mania de querer comer três vezes ao dia. E também, o fotógrafo, por mais talentoso, ainda não conseguiu fazer o dono do supermercado trocar comida por fotos. Bloody capitalists!
Ademais, o preço do fotógrafo tem, pelo menos, 7 componentes centrais.
o valor da criação, da inovação artística, da beleza que o artista é capaz de produzir,
o prestígio da marca,
custo de aquisição, manutenção e depreciação de equipamentos diversos, desde câmeras e lentes, passando por computadores, softwares, servidores,
custo de produção dos ensaios, editorias e prévias.
o custo da contratação da equipe do fotógrafo.
custo da fabricação de álbuns, embalagens e outros itens imagem e venda.
o custo da manutenção do negócio de fotografia em si.
Destes, dois estão ligados ao capital imaterial do estúdio, são o valor da criação artística em si e o prestígio da marca.
Criação Artística e Prestígio da Marca:
Ambos são itens muito próximos e de alguma forma se confundem entre si.
Artistas são como quaisquer outros profissionais. Uns tem mais capacidade de criação e originalidade do que outros. E essa capacidade a mais, custa. Tal vantangem comparativa nasce tanto de uma superioridade técnica (um fotógrafo domina mais seus equipamentos e procedimentos que outros), como do talento para fazer arte. Um fotógrafo tem idéias e criações melhores que a de seus concorrentes.
Normalmente, o artista que detêm melhores técnicas e melhor criatividade, no longo prazo, adquire maior prestígio. Não é sempre assim. O mercado tem suas imperfeições, irracionalidade, predileções e máfias e, às vezes, o bom, não aparece. Mas no longo prazo, costuma dar certo.
O prestígio nasce também do tipo de cliente que um fotógrafo acaba servindo. Um fotógrafo que trabalhou em algum momento para um rico e famoso, com o tempo tende a trabalhar para ricos e famosos e isso aumenta seu valor de mercado. Como rico, famoso e bom gosto nem sempre andam juntos, tem fotógrafo que custa uma baba e é ruim que só Jesus Cristo salva. Mas, novamente, no longo prazo, a lógica costuma dar certo. O prestígio de um fotógrafo entre os clientes de maior poder aquisitivo pode sim, e, normalmente, aponta para o fato de se tratar de um excelente profissional ou mesmo de um artista.
Custo de Aquisição de Equipamentos
Câmeras, lentes, flashes, luz contínua, rebatedores, rádios transmissores-disparadores, sombrinhas, softboxes, beauty dishes, computadores, monitores profissionais, calibradores, softwares, múltiplos hds externos, e por aí vai. Fotografia é feita por um exército de parafernalhas. E cada uma custa caro. 99% delas são importadas e o Dólar está a R$2.36 hoje. Me dá um tempinho que eu vou ali fora chorar.
Ademais, fotógrafos não são amadores. Não podem ter um item de cada. Tem várias unidades de cada coisa, pois se uma quebrar, sumir ou for roubada, tem outra para substituir e dar andamento ao trabalho.
Todo esse aparelhamento custa dinheiro e está embutido no custo de um fotógrafo bem equipado. Não apenas o custo de adquirir o equipamento, mas de mantê-lo e o preço da depreciação anual deste equipamento.
Custo de Produção das Fotos das Prévias e Editoriais
Perguntar quanto custa uma foto é igual chegar em um concessionária e perguntar quanto custa um carro. Tem foto de todo preço.
Um editorial de noiva, feito no Marrocos, na entrada do Saara, com vários camelos, figurantes e equipe técnica local, custa muito. Custa porque tudo isso tem de ser pago e ainda incidirão os gastos de seguro, taxas, passagens, hospedagem e diárias internacionais. Uma foto feita na parede da minha casa, não custa quase nada.
Acho que o exemplo já te deu uma boa idéia de que editoriais, prévias e coisas do gênero não são todas iguais. Quanto mais exótica e complexa a produção, mais impactantes serão as imagens resultantes. Mas o preço variará enormemente entre uma produção simples e um mega-projeto.
Custo de Equipe
Todo fotógrafo trabalha em equipe. Assistentes e ajudantes fazem o set de fotografia funcionar e sem eles, nada. Essa equipe também custa. Uma equipe bem treinada custa mais. Uma equipe bem paga, trabalha mais feliz. O fotógrafo não pode se arriscar a se queimar com os bons assistentes e ajudantes de confiança que trabalham com ele. Assim, o preço de um fotógrafo também reflete os custos que este tem com sua equipe.
Custo da Fabricação de Álbuns, Embalagens e outros Itens de Imagem e Venda.
Um álbum de algum respeito, hoje, não sai por menos de R$2000, a preços de custo, na gráfica. Pode ser muito mais ou um pouco menos. Mas barato não sai. Tem vezes que tenho vontade de desistir de ser fotógrafo e virar dono de gráfica. E tenho certeza que o dono de gráfica pensa em desistir e tornar-se dono de fábrica de papeis ou couro. Isso inclui as impressões de 25 lâminas, em papel razoável (nada fenomenal), capa e luvas em couro e diagramação. Isso sem o fotógrafo lucrar um real. Se falarmos de um álbum Fine Art, aí o preço sobe, fácil, para 5 ou 6 mil reais - graças ao alto custo dos papéis de arte e outras matérias primas. Isto sem o fotógrafo ter lucrado ainda um real. De fato, se o seu álbum é excelente, a margem de lucro do seu fotógrafo com a venda desse álbum é quase que apenas um real, mesmo.
Até mesmo um pacote digital não é entregue solto na sua mão ou, simplesmente, disponibilizado para download. A embalagem, dvds, cartões de memória e outros itens utilizados, custam. E quanto mais sofisticada e elegante a embalagem, mais custa.
Ademais, há o custo com sacolas, adesivos e todos aqueles itens que vc às vezes não vê, mas fazem toda diferença na apresentação do seu produto.
Como o fotógrafo de um estúdio de produção em massa fabrica apenas 150 casamentos por ano e, mesmo um mega estúdio, não faz mais de 300, todo esse material sai a preços de varejo para o fotógrafo. Nada de grandes descontos, acordos super privilegiados com gráficas, fábricas de sacolas etc. Simplesmente, porque nenhum fotógrafo, por mais cliente que tenha, pode manter sozinho uma gráfica funcionando e isso diminui muito sua capacidade de barganha com os fornecedores.
Custo da manutenção do negócio de fotografia em si.
Neste recaem impostos e outras obrigações, aluguel de imóveis, transporte da empresa, custo com funcionários, publicidade e por aí vai. Todas essas coisas chatas, sem as quais resolvidas a arte não pode acontecer. Quanto maior e mais estabelecida a empresa, quanto maior e mais bem localizada sua loja, sala comercial ou atelier, mais gastos desta natureza incorrem. Desta forma, não espere chegar em um estúdio na melhor rua comercial da cidade e pagar pouco. Isso não vai acontecer.
Conclusão
Algumas coisas do gasto de um fotógrafo tem impacto direto sobre a imagem produzida. Outros são "apenas" para atrair o cliente. (como se fosse possível viver sem clientes). Outras ainda, são para atender melhor o cliente em suas expectativas de consumo e conforto. Fotógrafos passam tempo precioso coçando a cabeça, tentando equacionar seus gastos. O que cortar? No que gastar? Mesmo quando conseguem chegar à uma boa equação, a economia muda e novos ajustes, novas decisões precisam ser tomadas. Ao cliente basta lembrar que tudo na sua festa de casamento vai passar, exceto suas fotos. Estas, se bem feitas, são para sempre.
Fonte: Henrique Pereira
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