Ao olhar uma cena não vemos apenas a melhor abertura, a melhor distância focal ou a melhor composição, mas vemos também os mais lindos sorrisos, o choro, as lágrimas e o afeto
Mais um ano acabou. Passou rápido e a gente ficou com aquela estranha sensação de que o tempo está voando. Talvez esteja. Estamos vivendo dias cada vez mais velozes, com mais informação, mais afazeres, mais demandas…
Para nós fotógrafos, não é diferente: fotografamos, editamos, tratamos, diagramamos, postamos… Temos que estudar, nos manter atualizados, cuidar do equipamento, sem contar que ainda temos que manter o blog, a página, responder orçamentos, interagir na rede… Ufa! Esta é uma lista que poderia não ter fim.
Um dos maiores desafios nestes dias de pressa e pressão, de dígitos e precisão, é mantermos a humanidade em nossa essência. Como fotógrafos de casamentos (e consequentemente de famílias), este é um risco que não deveríamos correr. É muito fácil se perder em meio a tantos meios, mídias e tecnologias. É fácil esquecer o coração. Sim, pois um trabalho feito com o coração traz em si a necessidade de sentimentos que levam tempo pra ser cultivados e vividos, e tempo, como já dito, é o que não nos sobra.
Podemos aprender a domar o tempo, contá-lo e gerenciá-lo. Isto é uma parte importante, mas não é tudo. Nossas realizações partem do desejo, e que lindo seria se, antes de desejarmos ser os melhores profissionais, desejássemos ser os melhores seres humanos que podemos. Talvez este seja um caminho que muitos preferem ignorar por estarem mais preocupados com sua técnica, seus números e seus resultados. Que engano… Ser gentil, cordial, atencioso, generoso, compreensivo entre tantos atributos nobres da humanidade, se reflete diretamente no trato com as demais pessoas de maneira mais que positiva. Isto nos abre portas, nos dá oportunidades e atrai para perto de nós gente boa, gente que é gente acima de tudo.
Do ponto de vista profissional, também se reflete na interação com nossos colegas de profissão e com nossos clientes. O respeito pelo semelhante, independente de quaisquer rótulos, só estará presente nas atitudes daqueles que decidem pela humanidade. Os que decidem acima de tudo por técnica e resultados quase sempre respeitarão apenas aqueles que apresentam números melhores que os seus, tornando-se facilmente uma espécie de rolo compressor, prontos a esmagar os sonhos de qualquer colega que apresente números mais modestos ou qualquer cliente que não possa pagar por seus serviços.
Em longo prazo, a humanidade nos torna mais sensíveis, e isto sim modifica diretamente o trabalho de quem vive para captar os efêmeros momentos de beleza e emoção da vida de outras pessoas, e isto mexe profundamente com nossa mente, nosso olhar e nossa técnica. Ao olhar uma cena não vemos apenas a melhor abertura, o melhor tempo de exposição, a melhor distância focal ou a melhor composição, mas vemos também os mais lindos sorrisos, o choro, as lágrimas e o afeto. Vemos a poesia da vida em movimento e colhemos dela as pequenas frações que eternizamos.
Bem, minhas postagens de modo geral são dicas de fotografia. Não acredito que esta seja diferente. Acredito até que é a dica mais valiosa que já dei. Que 2014 seja permeado de trabalho e sucesso para todos nós, mas, acima de tudo, que não sejamos atropelados pelas turbulências de nossos dias corridos. Que sejamos gente. Que tenhamos cada vez mais gentileza e respeito por todos. Que possamos demonstrar a importância das pessoas para que elas também se importem com os demais, e esta humanização seja uma corrente viral.
Termino citando uma frase atribuída ao cantor Bryan Adams, que é também um respeitado fotógrafo: “Eu gosto da ideia de ajudar as pessoas a ajudar as pessoas”.
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