Acompanhe as tendências em câmeras fotográficas
No final de setembro, a cidade alemã de Colônia foi palco da Photokina, a maior feira de fotografia do mundo. O evento, que reúne a cada dois anos mais de 180 mil visitantes em busca das novidades dos fabricantes, reacende uma questão que rodeia freqüentemente os fotógrafos: qual câmera devo comprar?
Essa dúvida, comum também para muitos estudantes de fotografia, não é fácil de ser respondida, principalmente porque há muitos fatores envolvidos na fotografia digital contemporânea – bem mais do que há 20 anos. O mais evidente deles é a depreciação do equipamento: se antes a compra da câmera era dificultosa e o fotógrafo passava toda sua carreira com uma câmera e algumas lentes, como as lendárias Pentax K1000 e a Nikon FM2, hoje, em pouco tempo, dá para sentir a necessidade de trocar de equipamento.
Atualmente, a câmera digital reflex deixou de ser aquela máquina estranha, quadradona e preta para dar lugar a um equipamento com interface agradável, preço mais acessível e até corpo colorido. Além do visual externo, os recursos eletrônicos de captura e processamento se multiplicam a cada nova geração: algumas câmeras fotografam e filmam em três dimensões, fazem fotos panorâmicas, aplicam efeitos na imagem e até publicam foto e vídeo em redes sociais.
Além disso, há novas categorias e propostas, como a câmera Lytro, que vão além e sugerem uma nova forma de fotografar, fazendo o foco na pós-produção, diretamente no computador. O avanço é tão intenso que há câmeras que deixaram até de ser um equipamento físico e se transformaram em um “app”. Quem possui um smartphone com câmera de boa resolução e conhece os potenciais desse tipo de aparelho pode se questionar: até que ponto preciso de uma DSLR tão sofisticada?
Essa idéia não está totalmente errada. Contudo, há muitos usos da fotografia que ainda apontam para a necessidade de um equipamento mais robusto. Alguns derivam da estética da imagem; outros, da simples exigência do mercado. Porém, todos os casos caminham para uma mudança no perfil do fotógrafo, que deixa de ser um operador de máquina para ser um produtor de imagens.
Muitos tamanhos
Essa discussão vai além. Até a tradicional divisão das câmeras analógicas – em 35mm, médio e grande formato – já não tem respaldo nos equipamentos atuais. A última Photokina evidenciou que os fabricantes não se restringem aos formatos de sensor convencionais. Muitas marcas já trabalham com medidas intermediárias, cuja área de captura varia bastante.
Nikon e Canon, por exemplo, oferecem várias câmeras com sensor de full frame (quadro integral ) e APS-C, mas já contam com equipamentos de menor porte.
“Ao optar por equipamentos como esses, com sensores de dimensões pequenas, o fotógrafo tem de entender que elas produzem imagens diferentes. Quanto menor for o sensor, por exemplo, menor será a capacidade da câmera para desfocar o fundo, ou seja, maior será a profundidade de campo”, explica o fotógrafo e professor da Escola Focus, Enio Leite.
O professor comenta que esse avanço tecnológico, contudo, tem proporcionado uma mudança incipiente no mercado de fotografia: em alguns casos, a demanda de imagens pede que as fotos sejam feitas com esse tipo de equipamento mais compacto. “Já vi peças publicitárias, expostas em vitrines de shoppings, compostas de fotos feitas com iPhone e Instagram, algo impensável anos atrás, em razão da baixa qualidade técnica que essas câmeras oferecem, se comparadas aos backs digitais muito utilizados na fotografia de publicidade”, diz.
Fotografia de ponta
Se a qualidade pesa para o lado do equipamento robusto, a portabilidade dá chances para as câmeras compactas e de recursos avançados. “Fotografo muito com celular, porque é uma câmera que está à disposição o tempo todo. Uso muitos aplicativos e a troca de imagens nas redes sociais é muito bacana”, comenta Leite.
Livre docente em fotografia e especializado em fotografia publicitária, fotojornalismo, arquitetura e imagens corporativas, Enio Leite ressalta que a DSLR e a médio formato ainda têm um mercado importantíssimo. Em seu estúdio, por exemplo, ele utiliza um back digital da PhaseOne em um corpo da Sinar.
“Muitas vezes, as grandes agências de publicidade exigem que o fotógrafo tenha equipamento de ponta. Elas confirmam o job, por exemplo, com base no back digital com que o fotógrafo trabalha. É uma exigência que vai além da capacidade técnica do equipamento, que é superior, mas muitas vezes uma câmera com sensor equivalente ao formato de 35mm daria conta”, diz.
Com tantas opções no mercado, é justa a dúvida em relação à compra da câmera. Nos cursos profissionalizantes da Focus Escola de Fotografia, a indicação dos professores leva em conta o investimento que será feito.
“Sugerimos que o aluno opte, no início, por uma câmera digital com valor não muito grande, pois entre três e cinco anos, esse equipamento será trocado. O melhor corpo é aquele que pode lhe atender naquele momento”, afirma Enio.
O professor indica ainda que o investimento é mais assertivo se for feito em objetivas, que serão aproveitadas por mais tempo, e na formação teórica do fotógrafo: em vez de olhar muito para a câmera, preste atenção à imagem – e a tudo que ela pode significar.
Nenhum comentário:
Postar um comentário