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''Garimpando dicas para Fotógrafos e Filmmakers''

quinta-feira, 21 de agosto de 2014



Com que software de edição que eu vou?
por João Velho - jun 9, 2014 - garimpado por: Sérgio Guimarães

Está fazendo quase três anos exatos que o Final Cut Pro X veio ao mundo, pondo fim ao desenvolvimento da sua encarnação anterior, o Final Cut Pro clássico, até então líder de mercado. De lá pra cá, milhares de profissionais no mundo todo ficaram sem rumo e sem saber que software adotar. Boa parte decidiu partir pra outra, mas muitos resolveram continuar com o FCP7, inclusive o famoso e prestigiado montador americano Walter Murch. E mesmo após todo esse tempo, com o FCP7 tecnologicamente defasado em relação aos concorrentes imediatos, essa gente ainda não se sente à vontade com as alternativas que estão dadas até agora.


 Foi o que ficou patente num post no grupo de Facebook da edt. – Associação de Profissionais de Edição Audiovisual, publicado essa semana pelo montador Pedro Bronz. Ele comentava que havia recebido uma mensagem de um finalizador parceiro seu, egresso da NAB 2014, que se mostrava bastante preocupado com a falta de perspectiva para os editores que se sentem desamparados desde a descontinuação do FCP clássico. O seu amigo finalizador reclamava que logo o FCP7 poderá deixar de ser uma opção, e que, pelo que havia visto em Las Vegas, os outros programas concorrentes não estariam “convencendo” a ponto das pessoas se sentirem seguras para fazer uma transição. Ele disse ainda que havia visto a próxima versão DaVinci Resolve em ação, e que achava que não seria a saída, coisa que bate com a posição do VideoGuru, conforme artigo publicado aqui. O único programa que mantinha acesa uma certa esperança, na sua opinião, seria o Lightworks, prestes a entrar na versão 12, possivelmente aquela que poderia vingar como solução salvadora.

Aqui no VideoGuru, esse diagnóstico de alta ansiedade dos editores órfãos do FCP7 também transpareceu firmemente num outro episódio, quando publicamos nosso post de primeiro de abril de 2014, em que demos uma notícia fantasiosa, dizendo que a Apple teria decidido retomar o desenvolvimento e promover a volta do FCP clássico. Tivemos um explosão de acessos, e quando as pessoas perceberam a brincadeira, ficaram decepcionadíssimos, alguns relataram até que chegaram a ficar deprimidos com a dura realidade de que a sua antiga e querida ferramenta estava mesmo descontinuada e que nada mais mudaria isso.

A diretoria da edt. se manifestou no post do Facebook, informando que está preparando uma série de eventos para o segundo semestre, incluindo alguns para discutir a questão do presente e futuro das ferramentas de edição. Será ótimo ocorrerem eventos sobre esse tema no Brasil e no Rio de Janeiro, vai atrair bastante gente. Eles só precisam ser bem pensados e planejados de modo garantir uma isenção total da organização, sem nenhum preconceito ou predisposição para referendar um programa ou outro. O ideal seria ter a experiência dos usuários, mesclada com a de especialistas e representantes das empresas.

Uma colega editora me convidou a dizer algo sobre o tema nos comentários do post de Bronz , e acabei escrevendo um texto que achei que seria interessante compartilhar com os leitores do VideoGuru. Na minha opinião, hoje, não há como imaginar uma repetição da situação de hegemonia como a que manteve o FCP clássico no topo por tanto tempo. O momento é outro, as condições históricas e de desenvolvimento tecnológico são diferentes. Provavelmente, não teremos mais “o programa” padrão, que todo mundo usa, mas um mercado bem mais dividido e equilibrado do que antes para os próximos anos. Nesse sentido, eu diria que esses devem ser os programas que serão os protagonistas nesse novo cenário: o Avid Media Composer, o Adobe Premiere, e o Final Cut Pro X. Acompanhe em seguida uma breve análise da posição de cada um deles nesse momento e uma projeção para o futuro.
• Final Cut Pro X
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O FCPX é o programa de edição não-linear mais inovador. Editar com ele é uma experiência gratificante, desde que entendida a sua lógica. Atende bem tanto a uma pessoa com menos conhecimento técnico como os usuários mais cascudos. Já evoluiu muito, já está pronto para editar em alto nível em praticamente todos os fluxos de trabalho. Ainda não é tão bom para trabalhos em ambientes colaborativos, em que se trabalha ao mesmo tempo na mesma timeline, e ainda não é tão bom para projetos que exijam esquemas de mixagem muito complexos, com dezenas de “pistas” de áudio. Mas trabalha bem com o ProTools, começou a conversar bem melhor com o Logic Pro X, e também conversa cada vez melhor com o DaVinci Resolve. Para editar longa-metragem de modo mais confortável, é indicado para funcionar com o Mac Pro mais recente.

Não há nada igual para edição multicamera. É também o programa que tem mais espaço para evoluir nos próximos anos. É o meu programa de edição preferido atualmente. É barato, e o único que ainda é vendido apenas no modelo de licença perpétua, além do que a Apple não têm cobrado pelos constantes upgrades. Percebo o Final Cut X hoje, como uma espécie ferramenta mais pessoal, mas integrada no ecossistema de aplicativos de pós-produção, muito rápida, inteligente e intuitiva. Muito boa para trabalhos de curta e média duração, comprovadamente, em computadores comuns, como um MacBook bem configurado. Combina muito bem com um fazer solitário, como o meu.

A Apple mudou o padrão de atualizações, antes de 2 a três meses, alternando upgrades robustos com upgrades incrementais. Agora, aparentemente, inicia uma fase de ciclos de vida mais longos para cada versão. A mais recente foi no fim de 2013, o que significa que deve vir algo por agora, na ocasião do terceiro aniversário do programa, ou no máximo em setembro/outubro, quando lançarem o novo sistema operacional Mac OS X “Yosemite”. Creio que essa próxima atualização virá recheada de novas funções de edição, melhor infra-estrutura para compartilhamento, e recursos para finalização de áudio, atacando as partes que mais precisam de melhorias.

• Adobe Premiere Pro
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O Premiere Pro é um aplicatívo confortável para quem está vindo do FCP7 e deseja continuar a trabalhar no paradigma clássico de edição. Evoluiu demais nos últimos anos, e a Adobe está investindo muito nos aplicativos de vídeo digital. Está perfeitamente integrado com o After Effects, Photoshop, e SppedGrade, e ainda tem o apoio de outras boas ferramentas como o Prelude, o Media Encoder, o Encore, e o Audition. Além do vácuo do FCP7, a Adobe quer ocupar o espaço do Avid Media Composer, e criou ferramentas para trabalho colaborativo, o Adobe Anywhere. É bem completo, mas me incomoda um pouco sua identidade meio híbrida e indefinida, misturando conceitos e recursos copiados ou trazidos de vários outros aplicativos.

Para funcionar bem mesmo, no fino, depende de contar placas gráficas robustas e compatíveis com o Mercury Playback Engine, mais até do que o FCPX. Pode melhorar, nem tudo está tão bem implementado. Mas, até o momento, para mim, tem se mostrado robusto e capaz de dar conta bem de praticamente todos os fluxos de trabalho. O modelo de vendas por assinatura pode incomodar a alguns usuários. Estou usando o programa nas minhas aulas na ESPM desde o início de 2014, com uma certa satisfação, eu diria. É um NAMORO que está dando certo. Tenho gostado, em geral, da postura da Adobe, nós últimos tempos, especialmente na minha área de vídeo digital. Devemos ter novidades no mês de junho, com a previsão de atualizações importantes nos aplicativos Creative Cloud.

Avid Media Composer
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O Avid Media Composer ainda é o programa mais completo e mais seguro para trabalhar em projetos complexos e em ambientes colaborativos. Se ressente de evoluir mais vagarosamente que seus concorrentes do ponto de vista tecnológico. Tem base consolidada e tende a virar uma ferramenta de nichos premium de pós-produção. Enfrenta uma incógnita que é a situação financeira da Avid e corre o risco ser vendido a qualquer momento para alguma empresa. Não se dá muito bem com o DaVinci Resolve. Tem uma curva de aprendizagem mais íngreme. Seu modelo de negócios está migrando para o sistema de assinatura, e aumentou o preço para a licença perpétua, que acabou sendo um tiro no pé.

Acho um ótimo programa. Talvez, hoje, num certo sentido, possa ser mesmo considerado o melhor de todos. Mas nunca usei no dia-a-dia (antes do Final Cut usava o Media 100), e não tenho planos para utilizá-lo, provavelmente porque não estou precisando e porque o considero meio cansativo na experiência de uso, com um certo quê de algo desnecessariamente complicado, ao menos para meu uso e meus fluxos de trabalho. Aprendi a usar, porque estudei o suficiente, não tem mistério nenhum, e se quisesse, poderia estar usando, porque está bem mais acessível e se tornou uma solução “software-only”. Mas realmente não é a minha preferência, pelo menos nesse momento.

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Na realidade, eu acho que estamos até bem servidos por essas três alternativas na edição não-linear. Não levo muita fé no modelo de negócios e na possibilidade do Lightworks vingar. Mas não deixa de ser outra incógnita a ser considerada. O DaVinci Resolve não é um programa, ao menos até o momento, apropriado para edição offline. Deve evoluir para um tipo de ferramenta de acabamento, de edição online, com enfase em color grading, obviamente. Os pecezistas ainda vão falar do Vegas.

Enfim, tem espaço pra chegarem novas ferramentas, mas realmente não acho que estamos sem opções. O que falta é o povo se decidir. No meu modo de ver, o Premiere é o programa que será mais usado a curto prazo, e vai disputar o grande público com o Final Cut Pro X. Já o Avid deverá se consolidar como um programa de nicho. Acho que nesse ponto estou começando a concordar com o Larry Jordan, apostando no Premiere e Final Cut X, duas ferramentas que se completam e podem ser usadas em trabalhos diferentes. Mas, claro, o ideal mesmo, seria o editor moderno, que está no mercado, dominar muito bem as três ferramentas que destaquei, e ficar de olhos abertos para o que pode vir por aí.

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