10 dicas para evitar erros na hora de filmar com HDSLR
A filmagem com HDSLR tem sido muito usada por dois tipos de profissionais: fotógrafos iniciantes em vídeo e videomakers que buscam uma estética diferente para seus filmes.
Por conta dessa interação de segmentos, é natural que haja problemas nas primeiras captações, já que a técnica de filmar com câmeras fotográficas envolve novidades para os dois públicos. Diretor experiente e um dos primeiros no Brasil no uso de HDSLR em produções profissionais, Apresentamos dez dicas de como identificar os problemas mais comuns que podem acontecer durante o trabalho, na filmagem para cinema, publicidade, documentários, institucionais ou eventos sociais.
Diferentemente da lógica das filmadoras, não basta ligar uma HDSLR e sair filmando. Para garantir vídeos com certa qualidade, são necessários alguns ajustes iniciais na câmera, além de preparar a cena para a gravação, dirigindo atores, entrevistados ou quem mais estiver em cena. Esta é a principal diferença que os videomakers sentem ao operar uma HDSLR: a dinâmica parece bem mais lenta e complicada do que a gravação com filmadoras convencionais.
Contudo, a preocupação com certos detalhes é compensada pela qualidade do vídeo gerado com a câmera fotográfica. A pequena profundidade de campo, que pode ser obtida com o uso de objetivas luminosas (com abertura máxima f/2.8, f/2, f/1.8 ou f/1.4) em câmeras com sensor grande APS-C ou de quadro cheio, por exemplo, cria uma estética que impressiona, principalmente quando comparada com a imagem flat e plastificada das filmadoras de sensor compacto.
Nossos alunos começaram, a filmar em HDSLR desde o lançamento da Canon EOS 5D Mark II, em 2009. A partir dessa experiência, selecionamos os dez pontos que jamais devem ser negligenciados pelos filmmakers, mas que, de forma recorrente, continuam complicando o trabalho de marinheiros de primeira viagem.
- Planejamento
Falta de planejamento é o primeiro erro dos iniciantes. A inexperiência dos fotógrafos em produções de vídeo pode comprometer o ritmo das gravações. Em qualquer tipo de projeto, é importante detalhar os passos a serem seguidos – no caso de publicidade, ter um briefing é vital, ou seja, saber realmente o que o cliente deseja. Visitar a locação antes das filmagens, criar um roteiro e fotografar antes os planos que serão utilizados no vídeo são etapas fundamentais. Assim, no dia da gravação, a equipe não perde tempo.
Analisar as fotos dos takes é uma ótima ferramenta para ter idéia se a seqüência ficará boa depois da montagem. Como problemas de última hora sempre surgem, é bom não gastar tempo com algo que poderia ser evitado.
- Orçamento
Saber o tamanho do passo a ser dado no custo da produção significa evitar muitos aborrecimentos. Às vezes, o filmmaker pode até pensar em efeitos ou planos de câmera mirabolantes, mas, se não há dinheiro para viabilizá-los, o certo é não tentar improvisar. “É sempre melhor ter uma produção bem-feita com poucos recursos do que tentar algo diferente que ficará mal-acabado”, alerta nossos professores.
O iniciante precisa ter em mente que tudo tem custo numa produção profissional: equipamentos de luz, acessórios para movimentar a câmera, mais gente na equipe… “Analise o orçamento de trabalho e evite tentar algo que você não conseguirá fazer com o que tem em mãos”, alerta os especialistas. A grande sacada de soluções criativas é saber trabalhar dentro de suas possibilidades financeiras.
- Equipamentos
Equipamentos defeituosos ou com má manutenção são um dos problemas mais freqüentes no set de gravação. Isso também é o mais simples de ser evitado. “Muitos profissionais têm preguiça de checar se a câmera está funcionando corretamente, se os cabos estão em perfeito estado, se as baterias estão com a vida útil boa (e carregadas) e se os cartões de memória são apropriados para filmagem e têm espaço suficiente para o armazenamento dos arquivos”, adverte Enio Leite.
Essa desatenção é comum em novatos, mas basta o primeiro apuro surgir para que seja evitado na próxima vez. Ainda assim, mesmo com tudo em funcionamento, é bom ser precavido. Leve cabos e baterias de reserva, inclusive câmeras sobressalentes se tiver possibilidade.
- Valorizar a equipe
Encarar todo trabalho com profissionalismo. Convidar amigos ou parentes para trabalhar na filmagem, apenas pela proximidade, pode ser prejudicial ao projeto. Da mesma forma que alguns profissionais especializados em determinadas áreas podem não ser tão bons em outras. Operadores de filmadoras que nunca manejaram uma HDSLR, por exemplo, é um dos problemas mais comuns nas produtoras.
O diretor precisa saber como montar a equipe e, principalmente, gerenciar os profissionais envolvidos. “Já ouvi relatos de discussões durante as gravações e de pessoas desistirem do trabalho no meio da filmagem. Por outro lado, uma boa equipe deve ser valorizada para que os profissionais dêem o melhor de si”, afirma Leite. No fundo, qualquer produção é um trabalho de equipe e o resultado reflete o nível de entendimento entre os envolvidos.
- Saber seu papel
Com o trabalho já contratado ou bem estudado, siga o que foi planejado. É possível que um jovem profissional possa se deslumbrar ao estar produzindo o vídeo e se sobrepor ao projeto, imaginando ter o mesmo background de um diretor de Hollywood. Leite explica que, em um filme de casamento, por exemplo, os protagonistas sempre devem ser os noivos, por mais criativa que seja a idéia do videomaker. Querer inventar demais pode comprometer o trabalho.
“Já fui contratado para fazer um vídeo em que as imagens deveriam parecer aquelas gravações ruins de câmeras de segurança. Esse foi o pedido do cliente e, se o projeto foi acento, deve ser seguido”, diz o diretor da Escola Focus . Para Enio Leite, o filmmaker deve entender qual é a sua função em cada projeto e se encaixar da melhor maneira possível nessa proposta.
- Cuidar do áudio
A boa captação sonora é fundamental. Mas ainda é algo muito negligenciado por filmmakers. Talvez por causa da grande preocupação com a qualidade de imagem, o que acaba deixando o som em segundo plano. Ainda que as ferramentas para filmar com estética de cinema estejam bem acessíveis, principalmente em cenas com luz natural, há uma diferença enorme na captação de áudio feita em grandes produções e em filmes de baixo orçamento, pois não há tantas ferramentas disponíveis para o áudio quanto há para imagem.
- Atenção à imagem
Para evitar problemas que a baixa definição e o tamanho reduzido que o monitor LCD da câmera podem ocasionar na hora de filmar, é possível usar monitores externos maiores, ligados à câmera HDSLR via HDMI. “Contudo, esses acessórios precisam ter boa qualidade, senão a emenda sai pior do que o soneto” avisa Enio.
Monitores descalibrados podem esconder problemas na exposição incorrigíveis na pós-produção. “Às vezes, um monitor pode exibir a imagem estourada em alguma área, o filmmaker corrige a exposição e, quando confere o arquivo no computador, a cena ficou escura”, comenta o diretor da Escola Focus.
O diretor sugere que, se a produção optar pelo uso de monitores externos, deve preferir modelos destinados à filmagem, com qualidade e fidelidade de cor. Os monitores de 7 polegadas para uso com DVD portátil, mais baratos, são os que geralmente apresentam problemas. Por isso, não devem ser usados para monitoração de imagem em filmagens.
- Seqüência
Muitos fotógrafos que seguem para o vídeo insistem em gastar tempo e criatividade para gravar um tomada linda e se esquecem de que a beleza do vídeo está na montagem das cenas, e não apenas em um único take.
Segundo Enio, no vídeo, a seqüência é muito mais importante que cada tomada individual, pois há pouco tempo para as pessoas observarem a imagem. Uma boa referência é entender como filmes de cinema são montados. Assim como em comerciais de TV e em dramaturgia, os cortes são geralmente rápidos e não há tempo de apreciação da imagem, como existe na fotografia estática.
- Controle do tempo
O tempo é precioso em filmagens. Produções mal organizadas e equipes fora de sintonia tendem a atrasar o trabalho. Em alguns casos, isso pode acarretar aumento de custos e, em outros, até inviabilizar o projeto. “O filmmaker precisa ter um perfil de empreendedor e lidar com o que acontece na gravação. Se em um documentário estão previstas, por exemplo, dez cenas, e há dez horas para filmar tudo, a equipe terá uma hora para cada cena. Se houver atraso nas primeiras cenas, as próximas devem compensar o tempo perdido”, ensina Enio.
O aproveitamento racional e eficiente do tempo remete à primeira dica: planejamento. Para uma cena que peça um take do nascer do sol, a equipe tem de estar pronta desde a madrugada para aproveitar cada minuto da luz surgindo no horizonte. Não adianta chegar em cima da hora, pois, se a filmagem não ficar boa, só poderá ser feita no dia seguinte.
- Evitar estresse
Mesmo com todo o cuidado prévio, eventualmente, algo pode sair errado nas gravações e, nesses casos, não é raro as pessoas se estressarem. Para evitar situações de pânico ou ira, é importante conferir com calma todas as outras etapas além do “luz, câmera e ação”. E, se o problema ocorrer, tente manter o controle para não fomentar ainda mais estresse e procure uma solução de forma objetiva.
“Não seja afobado para gravar. Cria uma rotina antes de cada tomada, conferindo a exposição, o áudio, o foco, se há espaço no cartão de memória e se a bateria tem carga suficiente para gravar. Só então comece a rodar”, orienta Enio. Segundo o diretor, as piores tensões no set de gravação ocorrem em decorrência da falta de atenção com detalhes. Um simples check list pode evitar muitos aborrecimentos.
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