O arrastão da fotografia de casamento
Segmento se resente do número crescente de entrantes que se apoiam em preços baixos para atrair clientela
A fotografia de casamento anda esquisita depois de ter vivido um grande ciclo de valorização. De norte a sul tem muito fotógrafo calculando a perda do número de casamentos por conta da chegada de novos profissionais com prática de baixar preço; alguns entregam as fotos em pen drive, ou DVD. Nestes casos, o álbum, que é a joia do fotografo, vira uma promessa porque a mídia vai para uma caixa de sapatos e o final da história é, enfim, álbum nenhum da família que se forma.
Armando Lima, da Art´s Fotograficas, em Caruaru (PE), é um dos que sentiram redução de 50% no número de casamentos por mês. “O bolo é o mesmo e as fatias estão ficando menores. É uma grande enxurrada de fotógrafos novos, principalmente mulheres, que trabalham em casa, sem custos fixos de um estúdio”, diz ele. O seu estúdio é referência na cidade e região. Para combater a queda no casamento, Lima tem investido em sessões no estúdio e propaganda pela internet e rádio local. Em sua visão, o inchaço de profissionais e preços em queda são uma tendência, e não algo passageiro.
Cliente consciente – Belo Horizonte se somou a Campo Grande e São Paulo nas reportagens realizadas pela família Namour. A mais nova praça é pilotada pelo filho Alexandre Namour desde o início do ano. “Quando cheguei me surpreendi com a velocidade de as noivas decidirem pelo fotógrafo. São conscientes e sabem o que querem. A cidade tem bons fotógrafos. Em Campo Grande e São Paulo tem muita gente, daí preços baixos”, compara ele, animado com a carteira de clientes mineiros.
No sul, o mercado anda em alta temperatura, porque o casamento é visto como um “baita” negócio, segundo José Zignani, em Caxias do Sul (RS).
Ele cita a criação recente de uma seção semanal dedicada ao assunto no jornal local O Pioneiro, do Grupo Zero Hora. “O mercado está lotado de novos fotógrafos, mas acredito que eles não atrapalhem, tem mercado para todos”, comenta. Zignani. “Hoje conhecimento e equipamento são acessíveis. Cada vez mais o mercado vai ser disputado. Você tem de estar correndo sempre, estar em redes sociais e fazendo novos cursos”, diz. Os preços de suas reportagens são reajustados anualmente com base nos custos do estúdio e nos da concorrência.
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