O fotógrafo tem a responsabilidade de contar esse acontecimento de maneira concisa.
Muitos associam o trabalho artístico como resultado apenas de uma “inspiração divina”, em que dedicação, esforço, organização, planejamento, seriam dispensáveis por conflitar com a arte em si. Mas a trajetória do artista bem-sucedido mostra o contrário. Organização e planejamento são ferramentas que ajudam na construção do estilo.
Ao longo deste fascículo serão destacados itens na busca de um estilo, de uma fotografia com traços autorais plenamente possível nos registros de casamentos.
Lista básica das pessoas a serem retratadas, com grau de prioridade:
Noiva, noivo, pais dos noivos, padrinhos, daminhas de pajens, avós, Irmãos, tios,sobrinhos e primos
amigos de longa data e outros personagens
A lista em si reforça o óbvio, porém guarda certos detalhes. Por exemplo: é aconselhável retratar os avós logo no início da festa porque são os primeiros a sair em geral.
Crianças costumam se “desmontar” rapidamente. São personagens que devem ser fotografados também no início da festa.
Há fotógrafos que levam um miniestúdio. O esforço é compensador. Que pais vão deixar de comprar a foto da filha como daminha ou do filho como pajem? A chance de quererem um álbum extra é muito grande. O mesmo vale para avós e sogras.
Cores
Há fotógrafos de casamento que só fazem álbuns em preto-e-branco e outros somente coloridos. São minorias. A grande maioria edita o álbum com fotos em cores, preto-e-branco e sépia. Reunidas, essas fotos devem formar uma peça harmônica e elegante.
Mas quando produzir uma foto em preto-e-branco ou convertê-la? Está estabelecido, tanto no Brasil como nos Estados Unidos, que as cenas do making of da noiva, do noivo, rendem muito mais se forem em preto-e-branco. As imagens, se bem enquadradas e compostas, revestem-se de um aura de fine art. Muitas noivas brasileiras aproveitam algumas dessas imagens para decorar o novo lar. É mais uma oportunidade para o fotógrafo aumentar o pacote de serviços.
Após a massificação do fotojornalismo em casamento vê-se uma avalanche de fotos convertidas para o pretoc-e-branco que apresentaram problemas já na captura. O recurso, acredita o fotógrafo, torna-se passe de mágica para consertar algo que tecnicamente é inadequado, mas clientes com “olhos de águia” notam a escassez de tonalidades intermediárias entre o branco e o preto puros e estão por toda parte.
Fotos em preto-e-branco e sépia geralmente são produzidas para abrir ou fechar um “capítulo” do casamento dentro do álbum. Uma dica é imprimi-las em papel metálico, que dá uma sensação de tridimensionalidade à foto. Imagine um retrato de noivos na cerimônia religiosa! Pode produzir ares de fine art e ganhar o coração de quem vê o trabalho.
É importante lembrar, mais um vez, que o olhar do fotógrafo, seu estilo de enquadramento e composição são elementos subjetivos por natureza. Isso não o impede, no entanto, de ser avaliado pelo domínio da técnica. Ainda que o cliente seja leigo no assunto, as deficiências serão percebidas. E, para o erro, a fama corre bem mais rápido do que para o acerto.
O estilo em todas as classes sociais
Há quem confunda estilo e bom gosto em fotos de casamentos como exigência para álbuns de noivas ricas. Que não representam a realidade brasileira, principalmente fora das grandes cidades. Verdade pela metade. Mais que a condição de renda, é preciso considerar componentes culturais a influenciar padrões locais de bom gosto. É natural que noivos de uma região rural tenham paladares diferentes dos que vivam em metrópoles, mesmo tendo condição econômica semelhante. O fotógrafo deve se adaptar. Entretanto, com a velocidade dos meios de comunicação a impor modismos globais, pesquisas de comportamento indicam que padrões de bom gosto, o que é belo ou é feio, cada vez se aproximam mais.
Estilo e bom gosto
A maioria concorda. O fotojornalismo de casamento trouxe o debate estético para dentro da fotografia social. A ousadia da documentação espontânea, sem interferir nos fatos como acontecem, determinou linguagens antes inimagináveis nesta modalidade de fotografias. E o melhor: linguagens que vendem.
Como definir estilo e bom gosto em álbuns de casamento? Terão conceitos amplos, subjetivos, com alto grau decorrente de influências culturais e sócio-econômicas. Difícil defini-los de forma objetiva e didática. Percebe-se quando não tem, pouco se explica quando tem. E não se imagine assunto restrito a grupos elitizados. Com padrões de imagens disseminados pela televisão – que primam em puxar a estética para cima – cada vez mais aduca-se o olhar da população em diferenciar estilos, o bom e o mau gosto.
Trata-se de dom nato? O berço ajuda, mas o fotógrafo pode e deve buscar incessantemente construir o seu próprio estilo, mesmo dentro do fotojornalismo. Fundamentalmente é estar atento e aberto ao exercício do olhar. Alimentar-se de ideias, armazenar e reciclar. Conhecer trabalhos de outras áreas, como moda, esporte, jornalismo, folhear revistas nacionais internacionais sobre noivas, visitar exposições, ir ao cinema, navegar pelos sites de colegas, frequentar congressos. Sem perceber, o fotógrafo terá desenvolvido o seu modo de olhar, a sua assinatura.
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