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''Garimpando dicas para Fotógrafos e Filmmakers''

segunda-feira, 8 de abril de 2013


Fotografia, Sistema e Qualidade de Imagem



Ao contrário da fotografia tradicional, a fotografia digital não é independente da aplicação final da mesma. Isto é, torna-se necessário ter consciência de que este é um sistema diferente e deve ser encarado como tal.
Ao fotografarmos com filme tradicional de 35 mm, não teremos que saber com antecedência qual será a aplicação da nossa imagem. Poderemos imprimir um 10x15cm, um 20x25cm, digitalizar o filme para futura impressão em brochuras ou até mesmo digitalizar o filme para publicar apenas numa página da Internet. O filme tem características físicas que permitem uma grande variedade de utilização.
A fotografia digital tem, de fato, uma limitação existente na resolução da mesma, mas tem também outras vantagens a considerar. Alguns chegam até a afirmar, sem qualquer tipo de dúvidas, que se consideramos a amplitude dinâmica, a fotografia digital é igual ou superior à de um filme. Em geral, um filme de slide permite-nos ter uma amplitude dinâmica de 6 f-stops, um filme de negativo nos permite ter uma amplitude dinâmica de 10 f-stops, ao passo que uma câmera digital de gama média nos proporciona uma amplitude dinâmica de 6 a 8 f-stops e câmeras digitais profissionais chegam a atingir os 11 f-stops. Isto nos permite um detalhamento muito maior nas altas e baixas luzes de uma imagem e nas zonas de sombra profunda.
Mesmo falando de resolução de uma imagem, temos sempre que considerar a sua aplicação. Para o fotógrafo amador, que não necessita imprimir mais do que um formato 15x10cm, o arquivo das câmeras digitais intermediárias de mercado é mais do que suficiente. Certamente que a profundidade de cor de uma imagem digital não se assemelha à mesma de um filme cromo (slide), mas podemos afirmar que para o fim a que se destina, é o suficiente.
Para fins mais profissionais existem câmeras fotográficas digitais – ou backs digitais – para algumas câmeras de médio e grande formato, que se assemelham em qualidade ao filme fotográfico comum (mercado amador). Hoje em dia existem câmeras digitais que permitem captar a realidade com cerca de 100 milhões de pixels de informação e uma profundidade de cor de 32 bits (ou 16 milhões de cores).
Sobre a qualidade do sistema, podemos ainda acrescentar um fator extra: qualquer filme fotográfico é uma segunda geração da imagem (após o processamento) e, por ser um suporte físico, é mais suscetível à deterioração em função do tempo ou até mesmo à uma perda permanente. Os negativos estarão sujeitos a poeira, riscos e defeitos que, depois de ampliados, tornam-se cada vez mais perceptíveis. Uma imagem digital, pelo contrário, não é mais do que um arquivo em código binário (0 e 1) que, no seu conjunto, contém a informação da nossa imagem. Por isso mesmo essa imagem mantém-se inalterada para sempre, tendo assim longevidade e facilidade de armazenamento muito maior. Não se trata aqui de dizer que um processo é melhor ou pior do que outro. Trata-se de compreender que são sistemas diferentes, com limitações e vantagens diferentes e que terão aplicações diferenciadas em alguns casos. Mais uma vez, trata-se de optar.
Mais é melhor?
A questão que se poderá colocar é a seguinte: já vimos que quanto maior a profundidade de cor, maior a fidelidade de reprodução da cor numa fotografia. Mesmo considerando que o olho humano não tem a capacidade de captar mais do que os tais 256 tons de uma determinada cor, poderei captar imagens com uma maior profundidade de cor, para não comprometer em nada a qualidade final da nossa imagem? A resposta é: sim.
Então porque não se utiliza sempre o máximo de profundidade de cor possível?
Em parte a resposta já foi dada. Porque os dispositivos de saída da nossa imagem não estão preparados, na maioria dos casos, para fazer saídas a profundidades de cor maiores do que 24 bits.
E então, por quê? É legítimo perguntar
A resposta está ligada ao tamanho do arquivo que uma imagem gera em função das suas características. Tal como foi explicado em relação à resolução, uma imagem com maior profundidade de cor ocupa um espaço de arquivo maior do que uma imagem com uma menor profundidade.
Sabendo que os recursos dos sistemas (câmaras, impressoras, computadores etc) com que trabalhamos são limitados, quanto maiores recursos pouparmos, mais produtivo será o nosso trabalho e mais rentável se tornará.
Explicando de uma forma mais simples
Um conjunto de 8 bits forma 1byte; 1024 bytes formam um kilobite; 1024 kilobytes formam um megabyte. Assim sendo, se considerarmos uma imagem com um pixel, uma imagem RGB de 24 bits (8 bits por cor RGB) ocuparia 1 byte. Se considerarmos a mesma imagem com um pixel, uma imagem RGB de 36 bits (12 bits por cor RGB) ocuparia 1,5 byte, isto é, resultaria num arquivo de imagem maior (mais pesado). Desta forma, o arquivo mais lento de imprimir e de ser partilhado pela via eletrônica sem, no entanto, haver um ganho “visível” na qualidade final da imagem.
É neste equilíbrio entre o necessário e o eficiente que reside o segredo para uma correta utilização da profundidade de cor das nossas imagens fotográficas digitais.
Profundidade de Cor:
8 bits     256 cores
16 bits   65.536 cores
24 bits   16,7 milhões de cores
30 bits   1 bilhão de cores
32 bits   4 bilhões de cores
36 bits   68 bilhões de cores
 Conclusões:
1) Caso qualidade seja fundamental e o arquivo vá sofrer edições pesadas, Raw+16bit+ProPhotoRGB é um caminho longo, mas é o mais seguro.
2) Caso qualidade seja desejável e o arquivo tenha sido corretamente exposto, Raw+8bit+AdobeRGB é um caminho mais curto.
3) Caso velocidade seja fundamental (jornalismo, eventos) e o arquivo tenha sido corretamente exposto, JPG Maximum+8bit+AdobeRGB é mais produtivo.
4) Caso o resultado final seja um print digital (casamentos, books) e o arquivo tenha sido corretamente exposto, JPG Maximum+8bit+sRGB é um fluxo mais light.
Visite o site da Focus Escola de Fotografia –  http://www.focusfoto.com.br      

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